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Vual

Vual é o 47º dos 72 espíritos catalogados na Ars Goetia, a primeira seção do Lemegeton. É descrito com o título de Duque segundo o texto. Em diferentes edições e manuscritos, seu nome aparece também grafado como Uvall ou Voval.

Última revisão: 2026-07-20

Fato histórico

Na edição de Mathers (1904), Vual é descrito como aparecendo inicialmente sob a forma de um grande e poderoso camelo, transformando-se depois em forma humana. O texto narra que ele fala em uma língua descrita no manuscrito como egípcia, ou de modo imperfeito quando não consegue fazê-lo claramente. É atribuído a ele, segundo o texto, o conhecimento de coisas passadas, presentes e futuras, e a promoção de amizade entre amigos e inimigos — descrições documentais dos atributos narrados ao espírito, não indicações de uso.

InterpretaçãoTradição Salomônica (Mathers/Crowley, 1904)

Na edição de Mathers, publicada com comentários de Aleister Crowley, Vual ocupa a 47ª posição do catálogo e é descrito como Duque, comandando 37 legiões de espíritos segundo o texto. É listado com os atributos de conhecer coisas passadas, presentes e futuras, e de promover amizade entre pessoas, conforme narrado no manuscrito.

InterpretaçãoTradição de Dr. Rudd (manuscrito, c. 1650)

O manuscrito atribuído a Thomas Rudd, anterior à edição de Mathers em cerca de dois séculos e meio, documenta uma versão relacionada mas distinta do catálogo — nele, cada um dos 72 espíritos, incluindo Vual, é emparelhado com um anjo correspondente extraído do sistema cabalístico do Shem HaMephorash (72 nomes divinos), um elemento estrutural de restrição/governo ausente na edição de Mathers. Não há registro confiável de qual nome específico de anjo o manuscrito de Rudd atribui a Vual nas fontes consultadas para este verbete; a prática geral de emparelhamento é documentada por pesquisadores como Joseph Peterson.

InterpretaçãoTradição Luciferiana (interpretação moderna)

Autores luciferianos modernos, sobretudo Michael W. Ford (em obras como The Luciferian Goetia), reinterpretam os 72 espíritos não como entidades externas a serem comandadas pela invocação de uma autoridade divina superior — o modelo salomônico — mas como máscaras arquetípicas ou correntes psicológicas que representam aspectos da própria consciência do praticante, a serem integradas a serviço da autodeificação. Nessa leitura, o conhecimento de coisas passadas, presentes e futuras atribuído a Vual é reinterpretado como símbolo da autognose — a capacidade de enxergar com clareza as próprias origens, o momento presente e o potencial de desenvolvimento interior — enquanto seu papel de promover amizade entre amigos e inimigos representa a reconciliação de forças psíquicas opostas dentro do próprio praticante.

Esta seção apresenta a interpretação de uma tradição específica, não um fato verificável.

Perguntas frequentes

Vual, Uvall e Voval são o mesmo espírito?
Sim. Uvall e Voval são grafias variantes do mesmo nome, encontradas em diferentes manuscritos e edições impressas da Ars Goetia.
Que forma o texto atribui a Vual?
Segundo a edição de Mathers, Vual aparece inicialmente sob a forma de um grande e poderoso camelo, transformando-se depois em forma humana.
A leitura luciferiana de Vual é tão antiga quanto as tradições de Mathers e Rudd?
Não. É uma interpretação moderna, desenvolvida principalmente a partir dos anos 2000 por autores luciferianos como Michael W. Ford, que reformulam os espíritos da Ars Goetia como arquétipos psicológicos de autodesenvolvimento — uma leitura simbólica contemporânea, não um manuscrito histórico como os de Mathers ou Rudd.

Fontes

  1. S. L. MacGregor Mathers (trans.), Aleister Crowley (ed.). The Goetia: The Lesser Key of Solomon the King (1904).
  2. Joseph H. Peterson (ed.). The Lesser Key of Solomon (2001).
  3. Thomas Rudd (manuscript), ed. Adam McLean. Dr. Rudd's Treatise on Angel Magic (c. 1650 (2007 ed.)).
  4. Michael W. Ford. The Luciferian Goetia (2007).