Skip to content
AstrumFree

Bifrons

Bifrons é o 46º dos 72 espíritos catalogados na Ars Goetia, a primeira seção do Lemegeton. É descrito com o título de Conde segundo o texto.

Última revisão: 2026-07-20

Fato histórico

Na edição de Mathers (1904), Bifrons é descrito como aparecendo inicialmente sob uma forma monstruosa, assumindo forma humana a pedido do operador do texto. O manuscrito atribui-lhe o ensino de astrologia, geometria e outras artes matemáticas, além do conhecimento das propriedades de pedras preciosas e madeiras. O texto também narra que ele move corpos de um lugar para outro e acende o que parecem ser velas sobre sepulturas — uma descrição documental dos atributos narrados ao espírito, não uma indicação de uso.

InterpretaçãoTradição Salomônica (Mathers/Crowley, 1904)

Na edição de Mathers, publicada com comentários de Aleister Crowley, Bifrons ocupa a 46ª posição do catálogo e é descrito como Conde, comandando um número de legiões de espíritos segundo o texto. É listado com os atributos de ensinar astrologia, geometria e outras artes matemáticas, conhecer as propriedades de pedras e madeiras, e mover corpos entre sepulturas conforme narrado no manuscrito.

InterpretaçãoTradição de Dr. Rudd (manuscrito, c. 1650)

O manuscrito atribuído a Thomas Rudd, anterior à edição de Mathers em cerca de dois séculos e meio, documenta uma versão relacionada mas distinta do catálogo — nele, cada um dos 72 espíritos, incluindo Bifrons, é emparelhado com um anjo correspondente extraído do sistema cabalístico do Shem HaMephorash (72 nomes divinos), um elemento estrutural de restrição/governo ausente na edição de Mathers. Não há registro confiável de qual nome específico de anjo o manuscrito de Rudd atribui a Bifrons nas fontes consultadas para este verbete; a prática geral de emparelhamento é documentada por pesquisadores como Joseph Peterson.

InterpretaçãoTradição Luciferiana (interpretação moderna)

Autores luciferianos modernos, sobretudo Michael W. Ford (em obras como The Luciferian Goetia), leem os 72 espíritos do catálogo não como entidades externas comandadas sob uma autoridade divina superior — o modelo salomônico — mas como máscaras arquetípicas de aspectos da própria consciência do praticante, a serem reconhecidas e integradas a serviço da autodeificação. Nessa leitura, a transformação de Bifrons de uma forma monstruosa inicial para a forma humana é interpretada como símbolo do refinamento do eu instintivo em direção a uma consciência mais individuada, enquanto seu domínio sobre astrologia, geometria e as propriedades ocultas de pedras e madeiras representa o acesso a um conhecimento esotérico interior; já a imagem de mover corpos entre sepulturas e acender luzes sobre túmulos é lida simbolicamente como o confronto necessário do praticante com sua própria mortalidade e com aquilo que nele permanece soterrado.

Esta seção apresenta a interpretação de uma tradição específica, não um fato verificável.

Perguntas frequentes

Que conhecimento o texto atribui a Bifrons?
Segundo a edição de Mathers, Bifrons ensina astrologia, geometria e outras artes matemáticas, além de conhecer as propriedades de pedras preciosas e madeiras.
Que forma o texto atribui a Bifrons?
O manuscrito descreve sua forma inicial como monstruosa, assumindo aparência humana a pedido do operador do texto.
A leitura luciferiana de Bifrons é tão antiga quanto as tradições de Mathers e Rudd?
Não. É uma interpretação moderna, desenvolvida principalmente a partir dos anos 2000 por autores luciferianos como Michael W. Ford, que reformulam os espíritos da Ars Goetia como arquétipos psicológicos de autodesenvolvimento — uma leitura simbólica contemporânea, não um manuscrito histórico como os de Mathers ou Rudd.

Fontes

  1. S. L. MacGregor Mathers (trans.), Aleister Crowley (ed.). The Goetia: The Lesser Key of Solomon the King (1904).
  2. Joseph H. Peterson (ed.). The Lesser Key of Solomon (2001).
  3. Thomas Rudd (manuscript), ed. Adam McLean. Dr. Rudd's Treatise on Angel Magic (c. 1650 (2007 ed.)).
  4. Michael W. Ford. The Luciferian Goetia (2007).