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Ronove

Ronove é o vigésimo sétimo dos 72 espíritos catalogados na Ars Goetia, a primeira seção do Lemegeton. É descrito com o duplo título de Marquês e Conde, uma combinação incomum entre os espíritos do catálogo.

Última revisão: 2026-07-20

Fato histórico

O nome Ronove aparece registrado de forma relativamente estável entre as edições do catálogo goético, em comparação a outros espíritos cujos nomes variam mais significativamente entre manuscritos. Na edição de Mathers (1904), Ronove é descrito com a aparência de um monstro, mostrando-se diante do praticante segundo o texto.

InterpretaçãoTradição Salomônica (Mathers/Crowley, 1904)

Na edição de Mathers, Ronove ocupa a vigésima sétima posição do catálogo e é descrito com o duplo título de Marquês e Conde, comandando um número de legiões de espíritos segundo o texto. É listado com o atributo de ensinar retórica, além de conceder o favor de amigos e de inimigos, e prover bons servos, conforme os atributos registrados no texto.

InterpretaçãoTradição de Dr. Rudd (manuscrito, c. 1650)

O manuscrito atribuído a Thomas Rudd, anterior à edição de Mathers em cerca de dois séculos e meio, documenta uma versão relacionada mas distinta do catálogo — nele, cada um dos 72 espíritos é emparelhado com um anjo correspondente extraído do sistema cabalístico do Shem HaMephorash (72 nomes divinos), um elemento estrutural de restrição/governo ausente na edição de Mathers. A identificação precisa do anjo correspondente a Ronove na prática documental de Rudd é discutida na pesquisa de Joseph Peterson sobre os manuscritos de Rudd, que sistematizou esse pareamento anjo-espírito ao longo de todo o catálogo.

InterpretaçãoTradição Luciferiana (interpretação moderna)

Michael W. Ford e outros autores da corrente luciferiana moderna, em obras como The Luciferian Goetia, propõem ler os 72 espíritos goéticos não como potências invocadas sob o comando de uma hierarquia celestial, mas como arquétipos de capacidades latentes do próprio praticante, cultivadas conscientemente em um processo de autoiniciação. Nessa chave, o duplo título de Ronove — Marquês e Conde — e seu domínio sobre a retórica são reinterpretados como o arquétipo do poder da palavra e da persuasão como ferramentas de autoafirmação, enquanto sua capacidade de conceder o favor tanto de amigos quanto de inimigos simboliza a habilidade de transitar com desenvoltura por relações sociais ambivalentes, sem depender da aprovação alheia.

Esta seção apresenta a interpretação de uma tradição específica, não um fato verificável.

Perguntas frequentes

Por que Ronove tem dois títulos, Marquês e Conde?
O texto de Mathers atribui a Ronove o duplo título de Marquês e Conde, uma combinação de posições hierárquicas que aparece em alguns poucos espíritos do catálogo goético, sem que o texto original explique a razão exata dessa dupla classificação.
O que o texto de Mathers atribui a Ronove como conhecimento ou habilidade?
O texto descreve Ronove como associado ao ensino de retórica e à concessão de favor junto a amigos e inimigos, além de prover bons servos, conforme os atributos registrados na edição de Mathers.
A leitura luciferiana de Ronove é tão antiga quanto as tradições de Mathers e Rudd?
Não. É uma interpretação moderna, desenvolvida principalmente a partir dos anos 2000 por autores luciferianos como Michael W. Ford, que reformulam os espíritos da Ars Goetia como arquétipos psicológicos de autodesenvolvimento — uma leitura simbólica contemporânea, não um manuscrito histórico como os de Mathers ou Rudd.

Fontes

  1. S. L. MacGregor Mathers (trans.), Aleister Crowley (ed.). The Goetia: The Lesser Key of Solomon the King (1904).
  2. Joseph H. Peterson (ed.). The Lesser Key of Solomon (2001).
  3. Thomas Rudd (manuscript), ed. Adam McLean. Dr. Rudd's Treatise on Angel Magic (c. 1650 (2007 ed.)).
  4. Michael W. Ford. The Luciferian Goetia (2007).