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Bune

Bune é o vigésimo sexto dos 72 espíritos catalogados na Ars Goetia, a primeira seção do Lemegeton. É descrito com o título de Duque, governando segundo o texto.

Última revisão: 2026-07-20

Fato histórico

O nome Bune aparece também grafado como Bime em manuscritos correlatos, uma das muitas variações ortográficas documentadas entre os nomes do catálogo goético. Na edição de Mathers (1904), Bune é descrito com uma forma composta e incomum: um dragão de três cabeças, sendo uma delas semelhante à de um cão, outra à de um grifo e outra à de um homem.

InterpretaçãoTradição Salomônica (Mathers/Crowley, 1904)

Na edição de Mathers, Bune ocupa a vigésima sexta posição do catálogo e é descrito com o título de Duque, comandando um número de legiões de espíritos segundo o texto. É listado com atributos que incluem mudar o local de sepultamento dos mortos, fazer com que espíritos se reúnam sobre seus sepulcros, conceder riqueza e sabedoria a quem o texto descreve como interlocutor, e falar de forma clara e articulada.

InterpretaçãoTradição de Dr. Rudd (manuscrito, c. 1650)

O manuscrito atribuído a Thomas Rudd, anterior à edição de Mathers em cerca de dois séculos e meio, documenta uma versão relacionada mas distinta do catálogo — nele, cada um dos 72 espíritos é emparelhado com um anjo correspondente extraído do sistema cabalístico do Shem HaMephorash (72 nomes divinos), um elemento estrutural de restrição/governo ausente na edição de Mathers. A identificação precisa do anjo correspondente a Bune na prática documental de Rudd é discutida na pesquisa de Joseph Peterson sobre os manuscritos de Rudd, que sistematizou esse pareamento anjo-espírito ao longo de todo o catálogo.

InterpretaçãoTradição Luciferiana (interpretação moderna)

Na leitura luciferiana moderna, associada sobretudo a Michael W. Ford e obras como The Luciferian Goetia, os espíritos da Ars Goetia deixam de ser lidos como entidades externas subordinadas a uma autoridade divina e passam a representar máscaras arquetípicas de processos internos do praticante, a serem exploradas em busca de autoconhecimento. Sob essa ótica, a cabeça tripla de Bune — cão, grifo e homem — é lida como símbolo da integração de instinto, ambição e razão em uma única consciência, e sua associação com sepulcros e espíritos reunidos sobre os mortos é reinterpretada como o confronto simbólico do praticante com aquilo que precisa ser encerrado ou transformado dentro de si, a caminho da riqueza e sabedoria que o próprio texto atribui a ele.

Esta seção apresenta a interpretação de uma tradição específica, não um fato verificável.

Perguntas frequentes

Qual é a forma descrita para Bune no texto de Mathers?
O texto descreve Bune como um dragão de três cabeças — uma semelhante à de um cão, outra à de um grifo e outra à de um homem — uma das formas compostas mais elaboradas entre os espíritos do catálogo.
Bune é o mesmo nome que Bime?
Sim. Bime é uma variante ortográfica documentada do mesmo espírito em manuscritos correlatos, refletindo a instabilidade textual comum na transmissão manuscrita dos nomes do catálogo ao longo dos séculos.
A leitura luciferiana de Bune é tão antiga quanto as tradições de Mathers e Rudd?
Não. É uma interpretação moderna, desenvolvida principalmente a partir dos anos 2000 por autores luciferianos como Michael W. Ford, que reformulam os espíritos da Ars Goetia como arquétipos psicológicos de autodesenvolvimento — uma leitura simbólica contemporânea, não um manuscrito histórico como os de Mathers ou Rudd.

Fontes

  1. S. L. MacGregor Mathers (trans.), Aleister Crowley (ed.). The Goetia: The Lesser Key of Solomon the King (1904).
  2. Joseph H. Peterson (ed.). The Lesser Key of Solomon (2001).
  3. Thomas Rudd (manuscript), ed. Adam McLean. Dr. Rudd's Treatise on Angel Magic (c. 1650 (2007 ed.)).
  4. Michael W. Ford. The Luciferian Goetia (2007).