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Botis

Botis é o décimo sétimo dos 72 espíritos catalogados na Ars Goetia, a primeira seção do Lemegeton. É descrito com o duplo título de Grande Presidente e Conde, dito no texto aparecer primeiro na forma de uma víbora feia antes de assumir forma humana.

Última revisão: 2026-07-20

Fato histórico

Botis é uma das poucas entradas do catálogo da Ars Goetia que carrega dois títulos ao mesmo tempo — Grande Presidente e Conde — em vez de um único posto. Na edição de Mathers (1904), o texto o descreve aparecendo primeiro na forma de uma víbora feia e, a seguir, por comando do exorcista, assumindo forma humana marcada por grandes dentes e dois chifres, e portando uma espada brilhante e afiada.

InterpretaçãoTradição Salomônica (Mathers/Crowley, 1904)

Na edição de Mathers, Botis ocupa a décima sétima posição do catálogo e é descrito com o duplo título de Presidente e Conde, comandando 60 legiões de espíritos segundo o texto. A fonte atribui a ele contar coisas passadas e coisas por vir, e reconciliar amigos e inimigos — atributos que o texto enquadra como relacionados a conhecimento e mediação, distintos dos atributos marciais ou cortesãos dados a diversas entradas vizinhas.

InterpretaçãoTradição de Dr. Rudd (manuscrito, c. 1650)

O manuscrito de Thomas Rudd, anterior à edição de Mathers de 1904 em cerca de dois séculos e meio, documenta uma versão relacionada mas distinta do catálogo, na qual cada um dos 72 espíritos — Botis incluído — é emparelhado com um anjo correspondente extraído do sistema cabalístico do Shem HaMephorash (72 nomes divinos), funcionando como uma contraparte estrutural de restrição ausente na edição de Mathers. A correspondência angelical específica atribuída a cada entrada na tradição de Rudd foi documentada por pesquisadores como Joseph Peterson, cujas edições catalogam em detalhe os pareamentos dos manuscritos de Rudd.

InterpretaçãoTradição Luciferiana (interpretação moderna)

Autores luciferianos modernos, sobretudo Michael W. Ford (em obras como The Luciferian Goetia), reinterpretam os 72 espíritos da Ars Goetia não como entidades externas a serem comandadas sob uma autoridade divina superior — o modelo salomônico —, mas como máscaras arquetípicas que representam etapas ou correntes psicológicas da consciência do próprio praticante, integradas a serviço da autodeificação. Nessa leitura, a transformação de Botis, que aparece primeiro como uma víbora e depois assume forma humana com espada, é lida como o arquétipo da evolução interior — o abandono de impulsos instintivos e reativos em favor de uma forma humana soberana guiada pelo discernimento —, enquanto sua capacidade de reconciliar amigos e inimigos é reinterpretada como a integração de forças opostas dentro da própria psique do praticante.

Esta seção apresenta a interpretação de uma tradição específica, não um fato verificável.

Perguntas frequentes

Por que Botis possui dois títulos?
O catálogo da Ars Goetia o lista com o duplo posto de Presidente e Conde, em vez de um único título — uma das poucas entradas do texto estruturadas dessa forma; as fontes não explicam o motivo do posto duplo.
A edição de Mathers e o manuscrito de Dr. Rudd descrevem Botis da mesma forma?
De forma relacionada, mas não idêntica. O manuscrito de Rudd, anterior à edição de Mathers, acrescenta um anjo correspondente a cada espírito — uma camada de correspondência cabalística ausente na versão mais conhecida de Mathers/Crowley.
A leitura luciferiana de Botis é tão antiga quanto as tradições de Mathers e Rudd?
Não. É uma interpretação moderna, desenvolvida principalmente a partir dos anos 2000 por autores luciferianos como Michael W. Ford, que reformulam os espíritos da Ars Goetia como arquétipos psicológicos de autodesenvolvimento — uma leitura simbólica contemporânea, não um manuscrito histórico como os de Mathers ou Rudd.

Fontes

  1. S. L. MacGregor Mathers (trans.), Aleister Crowley (ed.). The Goetia: The Lesser Key of Solomon the King (1904).
  2. Joseph H. Peterson (ed.). The Lesser Key of Solomon (2001).
  3. Thomas Rudd (manuscript), ed. Adam McLean. Dr. Rudd's Treatise on Angel Magic (c. 1650 (2007 ed.)).
  4. Michael W. Ford. The Luciferian Goetia (2007).