Bathin
Bathin é o décimo oitavo dos 72 espíritos catalogados na Ars Goetia, a primeira seção do Lemegeton. É descrito com o título de Duque, aparecendo segundo o texto como um homem forte com cauda de serpente, montado em um cavalo de cor pálida.
Última revisão: 2026-07-20
Fato histórico
O nome Bathin também aparece em catálogos demonológicos anteriores, como o Pseudomonarchia Daemonum de Johann Weyer (1577), como Mathim (ou Bathym), um texto precursor documentado que estudiosos apontam como fonte de partes do catálogo da Ars Goetia. Na edição de Mathers (1904), Bathin é descrito como um Duque poderoso e forte que aparece na forma de um homem forte com cauda de serpente, montado em um cavalo de cor pálida.
Interpretação — Tradição Salomônica (Mathers/Crowley, 1904)
Na edição de Mathers, Bathin ocupa a décima oitava posição do catálogo e é descrito como um Duque, comandando 30 legiões de espíritos segundo o texto. A fonte atribui a ele o conhecimento das virtudes de ervas e de pedras preciosas, e a capacidade de transportar homens subitamente de um país a outro — atributos que o texto enquadra como conhecimento de propriedades naturais e deslocamento rápido pela distância.
Interpretação — Tradição de Dr. Rudd (manuscrito, c. 1650)
O manuscrito de Thomas Rudd, anterior à edição de Mathers de 1904 em cerca de dois séculos e meio, documenta uma versão relacionada mas distinta do catálogo, na qual cada um dos 72 espíritos — Bathin incluído — é emparelhado com um anjo correspondente extraído do sistema cabalístico do Shem HaMephorash (72 nomes divinos), funcionando como uma contraparte estrutural de restrição ausente na edição de Mathers. A correspondência angelical específica atribuída a cada entrada na tradição de Rudd foi documentada por pesquisadores como Joseph Peterson, cujas edições catalogam em detalhe os pareamentos dos manuscritos de Rudd.
Interpretação — Tradição Luciferiana (interpretação moderna)
Autores luciferianos modernos, sobretudo Michael W. Ford (em obras como The Luciferian Goetia), reinterpretam os 72 espíritos não como entidades externas a serem comandadas pela invocação de uma autoridade divina superior — o modelo salomônico — mas como máscaras arquetípicas ou correntes psicológicas que representam aspectos da própria consciência do praticante, integradas a serviço da autodeificação. Nessa leitura, o conhecimento de Bathin sobre as virtudes de ervas e pedras preciosas é reinterpretado como o domínio interior sobre as próprias faculdades naturais e intuitivas do praticante, enquanto sua capacidade de transportar homens subitamente de um país a outro é lida como um símbolo da transição rápida entre estados de consciência — a habilidade arquetípica de deslocar a própria perspectiva ou identidade sem as amarras do tempo e do espaço comuns.
Esta seção apresenta a interpretação de uma tradição específica, não um fato verificável.
Perguntas frequentes
- Bathin tem relação com a figura chamada Mathim?
- Mathim (também grafado Bathym) é o nome usado para a mesma entrada no Pseudomonarchia Daemonum de Johann Weyer (1577), um catálogo demonológico anterior e documentado como fonte de partes da Ars Goetia; as fontes o tratam como um nome alternativo, e não como uma figura separada.
- A edição de Mathers e o manuscrito de Dr. Rudd descrevem Bathin da mesma forma?
- De forma relacionada, mas não idêntica. O manuscrito de Rudd, anterior à edição de Mathers, acrescenta um anjo correspondente a cada espírito — uma camada de correspondência cabalística ausente na versão mais conhecida de Mathers/Crowley.
- A leitura luciferiana de Bathin é tão antiga quanto as tradições de Mathers e Rudd?
- Não. É uma interpretação moderna, desenvolvida principalmente a partir dos anos 2000 por autores luciferianos como Michael W. Ford, que reformulam os espíritos da Ars Goetia como arquétipos psicológicos de autodesenvolvimento — uma leitura simbólica contemporânea, não um manuscrito histórico como os de Mathers ou Rudd.
Fontes
- S. L. MacGregor Mathers (trans.), Aleister Crowley (ed.). The Goetia: The Lesser Key of Solomon the King (1904).
- Joseph H. Peterson (ed.). The Lesser Key of Solomon (2001).
- Thomas Rudd (manuscript), ed. Adam McLean. Dr. Rudd's Treatise on Angel Magic (c. 1650 (2007 ed.)).
- Michael W. Ford. The Luciferian Goetia (2007).