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O Futhark Antigo: as 24 Runas Germânicas e sua História

2026-07-22

As runas do Futhark Antigo são, antes de tudo, um sistema de escrita histórico, usado por povos germânicos ao longo de vários séculos — sua associação com a adivinhação, tão comum hoje, é uma camada posterior sobre uma base que começou como alfabeto funcional.

O que é o Futhark Antigo

O Futhark Antigo é o mais antigo dos alfabetos rúnicos germânicos conhecidos, usado em inscrições datadas do século II ao VIII d.C. em regiões da Escandinávia e do norte da Europa continental. Seu nome deriva das seis primeiras runas do alfabeto — F, U, Þ (th), A, R, K — da mesma forma que "alfabeto" deriva de alfa e beta, as duas primeiras letras gregas.

As 24 runas e os três aettir

O Futhark Antigo é composto por 24 runas, tradicionalmente divididas em três grupos de oito, chamados aettir (singular: aett). Essa divisão em três grupos de oito aparece documentada já em algumas das inscrições rúnicas mais antigas conhecidas, sugerindo que a organização em aettir não é uma invenção moderna, mas parte da própria estrutura histórica do sistema.

Evidência arqueológica: a Pedra de Kylver

Uma das evidências arqueológicas mais importantes do Futhark Antigo completo é a Pedra de Kylver, encontrada na ilha de Gotland, na Suécia, datada de aproximadamente 400 d.C. — uma das primeiras inscrições conhecidas a apresentar a sequência completa das 24 runas em ordem, o que a torna uma referência central para reconstruir a forma e a ordem original do alfabeto.

Do uso como escrita ao uso divinatório moderno

O uso histórico mais bem documentado das runas do Futhark Antigo é como sistema de escrita — em inscrições memoriais, marcações de posse e textos rituais breves. Referências antigas ao uso de runas para fins divinatórios são escassas e indiretas; o historiador romano Tácito, em sua obra Germânia (século I d.C.), menciona povos germânicos lançando pedaços de madeira marcados para fins de sorte, um relato às vezes citado como precedente, embora Tácito não mencione runas especificamente pelo nome. A prática moderna de adivinhação com runas, tal como é difundida hoje, se consolidou principalmente ao longo do século XX.