Plutão
Plutão é o último dos 'planetas modernos' incorporados à astrologia, e também o mais debatido do ponto de vista astronômico. Corregente de Escorpião ao lado de Marte, está associado a transformação, poder e aos processos de morte e renascimento — tanto literais quanto psicológicos.
Última revisão: 2026-07-21
Fato histórico
Plutão foi descoberto em 1930 pelo astrônomo americano Clyde Tombaugh e integrou a lista oficial de planetas do sistema solar por 76 anos, até ser reclassificado pela União Astronômica Internacional (UAI), em 2006, como 'planeta anão' — categoria criada justamente por causa dos debates gerados por sua natureza. Apesar dessa reclassificação astronômica, a maioria dos astrólogos ocidentais continuou usando Plutão normalmente em suas interpretações após 2006, o que ilustra uma divergência real entre a astronomia, uma ciência observacional, e a astrologia, um sistema simbólico que não está obrigado a seguir as categorias formais da primeira.
Interpretação — Astrologia Ocidental (Tropical)
Na astrologia ocidental moderna, Plutão representa transformação profunda, poder, os ciclos de morte e renascimento e o inconsciente — tudo o que opera nas camadas mais ocultas da psique e das estruturas sociais até vir à tona de forma irreversível. É considerado corregente de Escorpião, papel assumido após sua descoberta em 1930; o regente tradicional do signo permanece sendo Marte, ainda usado isoladamente por astrólogos de orientação clássica. Plutão está ligado a crise, regeneração, obsessão e o exercício (ou abuso) de poder.
Interpretação — Astrologia Védica (Sideral)
Assim como Urano e Netuno, Plutão não integra o sistema clássico dos Navagraha, que reúne os sete planetas clássicos mais Rahu e Ketu. A explicação é a mesma: os textos fundadores da Jyotish, como o Brihat Parashara Hora Shastra, foram compostos muito antes da descoberta de Plutão em 1930, tornando sua presença no cânone original impossível. Alguns astrólogos védicos contemporâneos passaram a incorporar Plutão como influência secundária — sobretudo em temas de poder, crise e transformação profunda —, mas essa é uma adaptação moderna, não uma prática universal ou clássica da tradição.
Curiosidades
- A maior lua de Plutão, Caronte, tem quase metade do diâmetro do próprio Plutão — uma proporção tão grande que os dois corpos orbitam um centro de massa comum situado fora de Plutão, levando alguns astrônomos a descrevê-los como um 'planeta anão duplo'.
- A órbita de Plutão é tão excêntrica e inclinada que, por parte de seu ciclo de 248 anos, ele chega a ficar mais próximo do Sol do que Netuno — o que ocorreu, por exemplo, entre 1979 e 1999.
- Plutão tem cinco luas conhecidas: Caronte, Estige, Nix, Cérbero e Hidra — todas com nomes ligados à mitologia do submundo grego, reforçando o simbolismo do planeta mesmo após sua descoberta astronômica.
Esta seção apresenta a interpretação de uma tradição específica, não um fato verificável.
Perguntas frequentes
- Plutão ainda é usado pelos astrólogos mesmo após deixar de ser considerado planeta pela astronomia?
- Sim. Em 2006, a União Astronômica Internacional reclassificou Plutão como 'planeta anão', mas a maioria dos astrólogos ocidentais continuou usando-o normalmente em suas interpretações, já que a astrologia opera como sistema simbólico independente das categorias formais da astronomia.
- Plutão faz parte do sistema védico dos Navagraha?
- Não. O sistema clássico dos Navagraha foi codificado séculos antes da descoberta de Plutão em 1930, então ele não está entre os nove planetas tradicionais da Jyotish. Alguns astrólogos védicos modernos o usam como influência secundária, mas isso não é prática universal ou clássica.
Fontes
- Nicholas Campion. A History of Western Astrology (2009).
- Claudius Ptolemy. Tetrabiblos (c. 150).
- Maharishi Parashara (trans. R. Santhanam). Brihat Parashara Hora Shastra (1984).
- David Pingree. From Astral Omens to Astrology: From Babylon to Bīkāner (1997).