Valete de Copas
O Valete de Copas é a primeira das quatro cartas de corte do naipe de Copas nos Arcanos Menores. As cartas de corte (Valete, Cavaleiro, Rainha e Rei) representam pessoas, papéis ou estágios de maturidade dentro do domínio emocional do naipe, mais do que eventos ou fases de um processo, como fazem as cartas numerais.
Última revisão: 2026-07-22
Fato histórico
Diferente das cartas numerais, as cartas de corte já eram figuras ilustradas nos baralhos de Tarot mais antigos, como os Visconti-Sforza do século XV. O Tarot se distingue do baralho de 52 cartas comum justamente por ter quatro cartas de corte por naipe (Valete, Cavaleiro, Rainha e Rei) em vez de três (Valete, Rainha e Rei) — o historiador Michael Dummett documenta o Cavaleiro como a carta adicional introduzida especificamente na estrutura do Tarot. O Valete também é historicamente chamado de Pajem ou Sota, dependendo da tradição regional do baralho.
Interpretação — Rider-Waite-Smith / Golden Dawn
Waite descreveu o Valete de Copas como um jovem estudioso, inclinado a prestar serviço e a atuar como mensageiro dos desejos de outra pessoa. Na leitura moderna, a carta é associada a curiosidade, sensibilidade emocional, criatividade em estágio inicial e, frequentemente, a uma notícia ou convite de natureza afetiva ou artística. Invertida, pode indicar imaturidade emocional ou insegurança diante de sentimentos novos.
Interpretação — Thoth (Aleister Crowley)
No baralho Thoth, Crowley substituiu o sistema de quatro cartas de corte (Rei, Rainha, Cavaleiro, Valete) por outro também de quatro cartas (Cavaleiro, Rainha, Príncipe, Princesa). O que na tradição Rider-Waite é o Valete corresponde, no Thoth, à Princesa de Copas — associada ao aspecto Terra dentro do naipe de Água, representando a cristalização da energia emocional e intuitiva em uma forma concreta, muitas vezes criativa.
Curiosidades
- No sistema de atribuições elementares da Golden Dawn, cada uma das quatro cartas de corte recebe, além do elemento do próprio naipe, um subelemento ligado à sua posição hierárquica; o Valete (Princesa, no Thoth) corresponde à combinação Terra de Água — a sensibilidade do naipe em sua forma mais concreta e ainda em formação.
- Antes de ilustrar o Tarot, Pamela Colman Smith trabalhou no meio teatral londrino, incluindo ligações com a atriz Ellen Terry e a companhia do Lyceum Theatre; historiadoras da arte como Mary K. Greer sugerem que essa vivência teatral ajuda a explicar o caráter cênico e narrativo das figuras de corte que Smith desenhou para os Arcanos Menores.
Esta seção apresenta a interpretação de uma tradição específica, não um fato verificável.
Perguntas frequentes
- O que significa o Valete de Copas no Tarot?
- Na tradição Rider-Waite-Smith, costuma representar curiosidade, sensibilidade emocional e o início de uma expressão criativa ou afetiva — frequentemente lido como uma mensagem ou convite de natureza pessoal.
- Por que o Tarot tem quatro cartas de corte e o baralho comum só tem três?
- O Cavaleiro é a carta adicional que o Tarot introduziu na estrutura da corte de cada naipe, algo documentado por historiadores como Michael Dummett. O baralho de 52 cartas que herdamos hoje manteve apenas Valete, Rainha e Rei.
- Valete de Copas é a mesma carta que a Princesa de Copas do baralho Thoth?
- São a carta equivalente na posição da corte, mas com nomes e ênfases distintas: Crowley renomeou o sistema de corte do Thoth (Cavaleiro, Rainha, Príncipe e Princesa), então a Princesa de Copas ocupa o lugar que, na tradição Rider-Waite, é do Valete.
Fontes
- Michael Dummett. The Game of Tarot: From Ferrara to Salt Lake City (1980).
- Arthur Edward Waite. The Pictorial Key to the Tarot (1910).
- Aleister Crowley. The Book of Thoth (1944).
- Stuart R. Kaplan. The Encyclopedia of Tarot (1978).