Valete de Bastos
O Valete de Bastos é a primeira das quatro cartas de corte do naipe de Bastos nos Arcanos Menores. As cartas de corte (Valete, Cavaleiro, Rainha e Rei) representam pessoas, papéis ou estágios de maturidade dentro do domínio criativo e energético do naipe, mais do que eventos ou fases de um processo, como fazem as cartas numerais.
Última revisão: 2026-07-18
Fato histórico
Diferente das cartas numerais, as cartas de corte já eram figuras ilustradas nos baralhos de Tarot mais antigos, como os Visconti-Sforza do século XV. Entre as quatro posições da corte, o Valete é a que sobreviveu à transição do Tarot para o baralho comum de 52 cartas: quando o sistema se consolidou, em diferentes regiões da Europa, em três posições (Valete, Rainha, Rei), foi o Valete que se tornou o Valete (Jack) do baralho moderno — foi o Cavaleiro que desapareceu nesse processo, não ele. O Valete também é historicamente chamado de Pajem ou Sota, dependendo da tradição regional do baralho.
Interpretação — Rider-Waite-Smith / Golden Dawn
Waite descreveu o Valete de Bastos como um jovem de pele morena, ágil e apaixonado, portador de boas notícias. Na leitura moderna, a carta é associada a entusiasmo criativo, curiosidade por novos interesses, coragem para experimentar algo inédito e, frequentemente, a uma notícia ou mensagem ligada a um novo projeto ou empreendimento. Invertida, pode indicar impulsividade, entusiasmo que não se sustenta ou hesitação diante de uma nova ideia.
Interpretação — Thoth (Aleister Crowley)
No baralho Thoth, Crowley substituiu o sistema de quatro cartas de corte (Rei, Rainha, Cavaleiro, Valete) por outro também de quatro cartas (Cavaleiro, Rainha, Príncipe, Princesa). O que na tradição Rider-Waite é o Valete corresponde, no Thoth, à Princesa de Bastos — associada ao aspecto Terra dentro do naipe de Fogo, representando a cristalização da energia criativa e entusiasta em uma forma concreta, ainda em fase inicial.
Esta seção apresenta a interpretação de uma tradição específica, não um fato verificável.
Perguntas frequentes
- O que significa o Valete de Bastos no Tarot?
- Na tradição Rider-Waite-Smith, costuma representar entusiasmo criativo, curiosidade por novos interesses e o início de um projeto — frequentemente lido como uma notícia ligada a um novo empreendimento.
- Por que o Valete sobreviveu ao baralho comum, mas o Cavaleiro não?
- Não há um motivo documentado com precisão, mas historiadores como Michael Dummett registram que, nas diferentes regiões da Europa onde o Tarot se popularizou como jogo, o sistema de corte foi gradualmente simplificado para três posições — Valete, Rainha e Rei —, com o Cavaleiro sendo a posição eliminada nesse processo.
- Valete de Bastos é a mesma carta que a Princesa de Bastos do baralho Thoth?
- São a carta equivalente na posição da corte, mas com nomes e ênfases distintas: Crowley renomeou o sistema de corte do Thoth (Cavaleiro, Rainha, Príncipe e Princesa), então a Princesa de Bastos ocupa o lugar que, na tradição Rider-Waite, é do Valete.
Fontes
- Michael Dummett. The Game of Tarot: From Ferrara to Salt Lake City (1980).
- Arthur Edward Waite. The Pictorial Key to the Tarot (1910).
- Aleister Crowley. The Book of Thoth (1944).
- Stuart R. Kaplan. The Encyclopedia of Tarot (1978).