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Umbanda

A Umbanda é uma religião genuinamente brasileira, fundada em 1908 no Rio de Janeiro, que sintetiza elementos do Candomblé, do Espiritismo kardecista, do catolicismo popular e de referências espirituais indígenas brasileiras em um sistema religioso novo e próprio.

Última revisão: 2026-07-20

Fato histórico

A narrativa fundadora tradicional situa o nascimento da Umbanda em 1908, em São Gonçalo, na região de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, atribuída ao jovem médium Zélio Fernandino de Moraes. Diferente do Candomblé, a Umbanda não é uma continuação direta de uma única tradição africana: é uma religião nova, formada no Brasil pela síntese entre o culto aos Orixás, o Espiritismo kardecista (movimento espírita de origem francesa, baseado nos escritos de Allan Kardec, que teve enorme popularidade no Brasil desde o final do século XIX), o catolicismo popular e figuras espirituais indígenas brasileiras. Sua prática mediúnica central envolve a incorporação de espíritos organizados em 'linhas' — sendo as mais características a dos caboclos (espíritos associados à identidade indígena brasileira) e a dos pretos-velhos (espíritos de africanos escravizados idosos, venerados por sua sabedoria e humildade). Os Orixás também são cultuados na Umbanda, mas geralmente de forma mais sincretizada e universalizada — frequentemente identificados explicitamente com santos católicos e inseridos numa cosmologia espírita mais ampla, centrada na reencarnação e na evolução espiritual.

InterpretaçãoVisão de dentro (praticantes)

Para praticantes, a Umbanda é uma religião brasileira legítima e completa por direito próprio, não uma versão simplificada ou 'menor' do Candomblé. A incorporação de caboclos e pretos-velhos é vivida como um encontro direto com guias espirituais de grande sabedoria e generosidade, cuja missão é auxiliar, curar e aconselhar os que buscam ajuda nos terreiros — um serviço caritativo (a 'caridade') frequentemente colocado no centro da identidade umbandista. Muitos praticantes valorizam justamente o caráter sincrético e inclusivo da religião como uma virtude, e não como uma diluição de tradições mais 'puras'.

InterpretaçãoVisão acadêmica (antropologia da religião)

Estudiosos da religião analisam a Umbanda como um caso paradigmático de religião nova formada no início do século XX brasileiro, num contexto de urbanização, mobilidade social e circulação de ideias entre classes médias urbanas (atraídas ao Espiritismo kardecista) e comunidades afro-brasileiras (portadoras do culto aos Orixás). Nessa leitura, a estrutura de linhas espirituais e a ênfase na caridade mediúnica refletem uma tentativa histórica de tornar a religiosidade afro-brasileira mais aceitável perante a sociedade branca e as autoridades da época, sem que isso reduza a Umbanda a uma mera estratégia defensiva — ela é tratada como um sistema religioso original e coerente, com lógica e teologia próprias.

Esta seção apresenta a interpretação de uma tradição específica, não um fato verificável.

Perguntas frequentes

Umbanda é a mesma coisa que Candomblé?
Não. Embora ambas cultuem os Orixás e tenham raízes afro-brasileiras, são religiões distintas: o Candomblé é uma continuação direta de tradições africanas específicas (organizadas em nações), enquanto a Umbanda é uma religião nova, criada no Brasil em 1908, que combina o culto aos Orixás com o Espiritismo kardecista, o catolicismo popular e a mediunidade de caboclos e pretos-velhos.
O que são caboclos e pretos-velhos na Umbanda?
São as duas principais 'linhas' de espíritos incorporados por médiuns umbandistas: os caboclos são espíritos associados à identidade indígena brasileira, geralmente ligados à força, à natureza e à cura; os pretos-velhos são espíritos de africanos escravizados idosos, venerados por sua sabedoria, humildade e conselhos.

Fontes

  1. Roger Bastide. The African Religions of Brazil (1978).
  2. Reginaldo Prandi. Mitologia dos Orixás (2001).
  3. Pierre Verger. Orixás: Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo (1981).
  4. Stephen D. Glazier (ed.). Encyclopedia of African and African-American Religions (2001).