Marchosias
Marchosias é o trigésimo quinto dos 72 espíritos catalogados na Ars Goetia, a primeira seção do Lemegeton. É descrito com o título de Marquês segundo o texto.
Última revisão: 2026-07-20
Fato histórico
Segundo a edição de Mathers, Marchosias manifesta-se inicialmente sob a forma de um lobo com asas de grifo e cauda de serpente, vomitando fogo pela boca; quando assume forma humana a pedido, é descrito com a aparência de um soldado. O texto afirma que dá respostas verdadeiras. Um detalhe notável registrado no texto é a afirmação de que Marchosias pertenceu, em parte, à Ordem das Dominações (Domínios) angelicais, e de que esperava retornar ao sétimo trono após um período de 1.200 anos — uma peculiaridade narrativa presente na edição de Mathers que distingue sua descrição da maioria dos demais espíritos do catálogo.
Interpretação — Tradição Salomônica (Mathers/Crowley, 1904)
Na edição de Mathers, Marchosias ocupa a trigésima quinta posição do catálogo e é descrito como Grande Marquês, comandando 30 legiões de espíritos segundo o texto. O texto o associa à veracidade das respostas dadas e registra a narrativa de sua origem angelical e expectativa de retorno, um elemento incomum de continuidade mitológica dentro do catálogo.
Interpretação — Tradição de Dr. Rudd (manuscrito, c. 1650)
O manuscrito atribuído a Thomas Rudd, anterior à edição de Mathers em cerca de dois séculos e meio, emparelha cada um dos 72 espíritos do catálogo — incluindo Marchosias — com um anjo correspondente extraído do sistema cabalístico do Shem HaMephorash (72 nomes divinos), como contraparte estrutural de restrição/governo, um elemento ausente na edição de Mathers. Não há, nas fontes consultadas, confirmação segura de qual nome específico de anjo Rudd atribuiu a Marchosias; a prática geral de emparelhamento, contudo, está bem documentada nas pesquisas de Joseph Peterson sobre os manuscritos de Rudd.
Interpretação — Tradição Luciferiana (interpretação moderna)
Autores luciferianos modernos, sobretudo Michael W. Ford (em obras como The Luciferian Goetia), reinterpretam os 72 espíritos do catálogo não como entidades externas subordinadas a uma autoridade divina superior, mas como arquétipos de aspectos da própria consciência do praticante, a serem integrados a serviço da autodeificação. Nessa chave, a narrativa registrada pela edição de Mathers sobre a origem angelical de Marchosias e sua expectativa de retornar ao sétimo trono após 1.200 anos é lida como um eco do próprio mito luciferiano da entidade outrora exaltada, exilada, e destinada à eventual restauração — um arquétipo de queda e retorno aplicado à jornada interior do praticante rumo à autoexaltação.
Esta seção apresenta a interpretação de uma tradição específica, não um fato verificável.
Perguntas frequentes
- Que detalhe narrativo incomum a edição de Mathers registra sobre Marchosias?
- O texto afirma que Marchosias pertenceu, em parte, à Ordem das Dominações angelicais e esperava retornar ao sétimo trono após 1.200 anos — uma peculiaridade narrativa pouco comum entre os espíritos do catálogo.
- Qual título e quantas legiões são atribuídos a Marchosias?
- É descrito como Grande Marquês, comandando 30 legiões de espíritos segundo a edição de Mathers (1904).
- A leitura luciferiana de Marchosias é tão antiga quanto as tradições de Mathers e Rudd?
- Não. É uma interpretação moderna, desenvolvida principalmente a partir dos anos 2000 por autores luciferianos como Michael W. Ford, que reformulam os espíritos da Ars Goetia como arquétipos psicológicos de autodesenvolvimento — uma leitura simbólica contemporânea, não um manuscrito histórico como os de Mathers ou Rudd.
Fontes
- S. L. MacGregor Mathers (trans.), Aleister Crowley (ed.). The Goetia: The Lesser Key of Solomon the King (1904).
- Joseph H. Peterson (ed.). The Lesser Key of Solomon (2001).
- Thomas Rudd (manuscript), ed. Adam McLean. Dr. Rudd's Treatise on Angel Magic (c. 1650 (2007 ed.)).
- Michael W. Ford. The Luciferian Goetia (2007).