Kimaris
Kimaris é o sexagésimo sexto dos 72 espíritos catalogados na Ars Goetia, a primeira seção do Lemegeton. É descrito com o título de Marquês segundo o texto. Em várias edições e manuscritos, seu nome aparece também grafado como Cimejes ou Cimeies — uma das muitas variações ortográficas comuns aos nomes do catálogo.
Última revisão: 2026-07-20
Fato histórico
Na edição de Mathers (1904), Kimaris é descrito como aparecendo sob a forma de um valente guerreiro, montado sobre um belo e forte cavalo negro. O texto o associa ao governo sobre todos os espíritos nas partes da África — uma das poucas atribuições geográficas explícitas do catálogo. O manuscrito também lhe atribui o ensino perfeito de gramática, lógica e retórica, além da descoberta de coisas perdidas ou ocultas, incluindo tesouros.
Interpretação — Tradição Salomônica (Mathers/Crowley, 1904)
Na edição de Mathers, publicada com comentários de Aleister Crowley, Kimaris ocupa a sexagésima sexta posição do catálogo e é descrito como Marquês, comandando 20 legiões de espíritos segundo o texto. É listado com atributos de conhecimento retórico e linguístico — gramática, lógica e retórica — associados também à descoberta de coisas escondidas ou perdidas, conforme descrito no manuscrito.
Interpretação — Tradição de Dr. Rudd (manuscrito, c. 1650)
O manuscrito atribuído a Thomas Rudd, anterior à edição de Mathers em cerca de dois séculos e meio, emparelha cada um dos 72 espíritos do catálogo — incluindo Kimaris — com um anjo correspondente extraído do sistema cabalístico do Shem HaMephorash (72 nomes divinos), como contraparte estrutural de restrição/governo, um elemento ausente na edição de Mathers. Não há, nas fontes consultadas, confirmação segura de qual nome específico de anjo Rudd atribuiu a Kimaris; a prática geral de emparelhamento, contudo, está bem documentada nas pesquisas de Joseph Peterson sobre os manuscritos de Rudd.
Interpretação — Tradição Luciferiana (interpretação moderna)
Autores luciferianos modernos, sobretudo Michael W. Ford (em obras como The Luciferian Goetia), leem os 72 espíritos da Ars Goetia não como potências externas obedientes a uma autoridade divina superior, mas como arquétipos psicológicos internos ao próprio praticante, a serem integrados conscientemente. Nessa chave, a imagem de Kimaris como guerreiro montado sobre um cavalo negro é reinterpretada como o arquétipo da vontade disciplinada que avança sobre o próprio território interior, e seu domínio geográfico sobre partes da África é lido simbolicamente como a soberania sobre regiões ainda inexploradas da própria psique. Seu ensino de gramática, lógica e retórica é interpretado como o domínio consciente da linguagem enquanto ferramenta de autoafirmação, enquanto sua capacidade de descobrir coisas perdidas ou ocultas, incluindo tesouros, é lida como metáfora do resgate de potenciais e verdades internas esquecidas pelo próprio praticante.
Esta seção apresenta a interpretação de uma tradição específica, não um fato verificável.
Perguntas frequentes
- Kimaris e Cimejes são o mesmo espírito?
- Sim. Kimaris, Cimejes e Cimeies são grafias variantes do mesmo nome, encontradas em diferentes manuscritos e edições impressas da Ars Goetia — variação ortográfica comum a vários dos 72 espíritos do catálogo.
- Que domínio geográfico o texto atribui a Kimaris?
- Segundo a edição de Mathers, Kimaris governa sobre todos os espíritos nas partes da África — uma das poucas atribuições geográficas explícitas entre os 72 espíritos do catálogo.
- A leitura luciferiana de Kimaris é tão antiga quanto as tradições de Mathers e Rudd?
- Não. É uma interpretação moderna, desenvolvida principalmente a partir dos anos 2000 por autores luciferianos como Michael W. Ford, que reformulam os espíritos da Ars Goetia como arquétipos psicológicos de autodesenvolvimento — uma leitura simbólica contemporânea, não um manuscrito histórico como os de Mathers ou Rudd.
Fontes
- S. L. MacGregor Mathers (trans.), Aleister Crowley (ed.). The Goetia: The Lesser Key of Solomon the King (1904).
- Joseph H. Peterson (ed.). The Lesser Key of Solomon (2001).
- Thomas Rudd (manuscript), ed. Adam McLean. Dr. Rudd's Treatise on Angel Magic (c. 1650 (2007 ed.)).
- Michael W. Ford. The Luciferian Goetia (2007).