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Balam

Balam é o 51º dos 72 espíritos catalogados na Ars Goetia, a primeira seção do Lemegeton. É descrito com o título de Rei segundo o texto. Em diferentes edições, seu nome também aparece grafado como Balaam, forma que ecoa o nome do profeta bíblico Balaão.

Última revisão: 2026-07-20

Fato histórico

O nome Balam (também grafado Balaam) ecoa o do profeta Balaão, figura do Livro de Números (capítulos 22 a 24) na tradição bíblica, contratado para amaldiçoar o povo de Israel e cuja jumenta fala segundo o relato. Trata-se de outro caso documentado — como Bael/Baal e Astaroth/Astarte, já tratados neste mesmo catálogo — de a demonologia cristã medieval e renascentista reaproveitar um nome de origem bíblica ou extrabíblica na composição do catálogo de espíritos subordinados, sem que isso implique identidade direta entre as figuras. Na edição de Mathers (1904), Balam é descrito com três cabeças — a primeira de touro, a segunda de homem, a terceira de carneiro —, cauda de serpente e olhos flamejantes, montado sobre um urso feroz e carregando um açor sobre o punho, falando com voz rouca.

InterpretaçãoTradição Salomônica (Mathers/Crowley, 1904)

Na edição de Mathers, publicada com comentários de Aleister Crowley, Balam ocupa a 51ª posição do catálogo e é descrito como Rei terrível, grande e poderoso, comandando 40 legiões de espíritos segundo o texto. É listado com os atributos de dar respostas verdadeiras sobre coisas passadas, presentes e futuras, e de conceder aos homens o dom da invisibilidade e do engenho, tornando-os espirituosos segundo o texto.

InterpretaçãoTradição de Dr. Rudd (manuscrito, c. 1650)

O manuscrito atribuído a Thomas Rudd, anterior à edição de Mathers em cerca de dois séculos e meio, documenta uma versão relacionada mas distinta do catálogo — nele, cada um dos 72 espíritos, incluindo Balam, é emparelhado com um anjo correspondente extraído do sistema cabalístico do Shem HaMephorash (72 nomes divinos), um elemento estrutural de restrição/governo ausente na edição de Mathers. Não há registro confiável de qual nome específico de anjo o manuscrito de Rudd atribui a Balam nas fontes consultadas para este verbete; a prática geral de emparelhamento é documentada por pesquisadores como Joseph Peterson.

InterpretaçãoTradição Luciferiana (interpretação moderna)

Autores luciferianos modernos, sobretudo Michael W. Ford (em obras como The Luciferian Goetia), tratam o eco bíblico do nome Balam da mesma forma que tratam os casos de Bael/Baal e Astaroth/Astarte já discutidos neste catálogo: como mais um exemplo de uma figura demonizada pela tradição judaico-cristã a ser resgatada e relida como símbolo de conhecimento proibido, e não como uma entidade externa hostil. Nessa leitura, os 72 espíritos da Ars Goetia deixam de ser potências convocadas sob uma hierarquia divina superior e passam a representar correntes arquetípicas da própria consciência do praticante, integradas a serviço da autodeificação. A tripla cabeça de Balam — touro, homem e carneiro — é reinterpretada como o arquétipo da multiplicidade de instintos, razão e vontade reunidos numa só figura, e os dons de invisibilidade e engenho que o texto lhe atribui são lidos como a capacidade do iniciado de ocultar suas intenções e agir com astúcia sobre o próprio destino.

Esta seção apresenta a interpretação de uma tradição específica, não um fato verificável.

Perguntas frequentes

O nome Balam tem relação com o profeta bíblico Balaão?
O nome ecoa o do profeta Balaão, do Livro de Números (capítulos 22 a 24) — um padrão documentado, também observado em outros espíritos do catálogo como Bael/Baal e Astaroth/Astarte, no qual a demonologia cristã medieval e renascentista reaproveitou nomes de origem bíblica ou extrabíblica ao compor o catálogo de espíritos subordinados.
Como o texto descreve a aparência de Balam?
Segundo a edição de Mathers, Balam tem três cabeças — de touro, de homem e de carneiro —, cauda de serpente e olhos flamejantes, e aparece montado sobre um urso feroz, carregando um açor sobre o punho.
A leitura luciferiana de Balam é tão antiga quanto as tradições de Mathers e Rudd?
Não. É uma interpretação moderna, desenvolvida principalmente a partir dos anos 2000 por autores luciferianos como Michael W. Ford, que reformulam os espíritos da Ars Goetia como arquétipos psicológicos de autodesenvolvimento — uma leitura simbólica contemporânea, não um manuscrito histórico como os de Mathers ou Rudd.

Fontes

  1. S. L. MacGregor Mathers (trans.), Aleister Crowley (ed.). The Goetia: The Lesser Key of Solomon the King (1904).
  2. Joseph H. Peterson (ed.). The Lesser Key of Solomon (2001).
  3. Thomas Rudd (manuscript), ed. Adam McLean. Dr. Rudd's Treatise on Angel Magic (c. 1650 (2007 ed.)).
  4. Michael W. Ford. The Luciferian Goetia (2007).