Astaroth
Astaroth é o vigésimo nono dos 72 espíritos catalogados na Ars Goetia, a primeira seção do Lemegeton. É descrito com o título de Duque, governando segundo o texto.
Última revisão: 2026-07-20
Fato histórico
O nome Astaroth ecoa de perto Astarte (também referida como Ashtoreth em textos do Antigo Testamento), uma importante divindade do antigo Oriente Próximo associada a diversas culturas semíticas — outro caso documentado, semelhante ao de Bael, de como a demonologia cristã reaproveitou o nome de uma divindade anterior, reclassificando-a como espírito subordinado no catálogo goético. Na edição de Mathers (1904), Astaroth é descrito com a aparência de um anjo disforme, montado sobre um dragão infernal e segurando uma víbora na mão direita, e o texto adverte que seu hálito é descrito como extremamente fétido, recomendando que o praticante se resguarde dele.
Interpretação — Tradição Salomônica (Mathers/Crowley, 1904)
Na edição de Mathers, Astaroth ocupa a vigésima nona posição do catálogo e é descrito com o título de Duque, comandando um número de legiões de espíritos segundo o texto. É listado com atributos que incluem discorrer sobre a criação do mundo e a queda dos espíritos, dizer coisas passadas, presentes e futuras, e responder livremente sobre assuntos relacionados às artes e ciências liberais, conforme os atributos registrados no texto.
Interpretação — Tradição de Dr. Rudd (manuscrito, c. 1650)
O manuscrito atribuído a Thomas Rudd, anterior à edição de Mathers em cerca de dois séculos e meio, documenta uma versão relacionada mas distinta do catálogo — nele, cada um dos 72 espíritos é emparelhado com um anjo correspondente extraído do sistema cabalístico do Shem HaMephorash (72 nomes divinos), um elemento estrutural de restrição/governo ausente na edição de Mathers. A identificação precisa do anjo correspondente a Astaroth na prática documental de Rudd é discutida na pesquisa de Joseph Peterson sobre os manuscritos de Rudd, que sistematizou esse pareamento anjo-espírito ao longo de todo o catálogo.
Interpretação — Tradição Luciferiana (interpretação moderna)
A leitura luciferiana moderna, associada sobretudo a Michael W. Ford em obras como The Luciferian Goetia, propõe que os 72 espíritos do catálogo sejam compreendidos não como potências externas subjugadas a uma hierarquia angelical superior, mas como correntes arquetípicas da consciência do próprio praticante, integradas conscientemente a serviço da autodeificação. No caso de Astaroth, essa leitura dialoga diretamente com a origem do nome como reaproveitamento de Astarte/Ashtoreth: a recuperação do nome de uma antiga divindade feminina, rebaixada a espírito subordinado pela demonologia cristã, é lida como emblemática do próprio projeto luciferiano de reabilitar figuras historicamente demonizadas. Nessa chave, o domínio atribuído a Astaroth sobre a criação do mundo e a queda dos espíritos é reinterpretado como o conhecimento arquetípico das origens e das rupturas internas do praticante, a serem enfrentadas e integradas em vez de temidas.
Esta seção apresenta a interpretação de uma tradição específica, não um fato verificável.
Perguntas frequentes
- Astaroth tem relação com a divindade Astarte do antigo Oriente Próximo?
- O nome ecoa de perto Astarte, também referida como Ashtoreth em textos do Antigo Testamento, uma importante divindade venerada em diversas culturas semíticas antigas — um padrão documentado, semelhante ao caso de Bael, em que a demonologia cristã reclassificou nomes de divindades anteriores como espíritos subordinados, sem que isso implique identidade histórica direta entre as figuras.
- Como o texto de Mathers descreve a aparência de Astaroth?
- O texto descreve Astaroth como um anjo disforme, montado sobre um dragão infernal e segurando uma víbora na mão direita, com uma advertência sobre seu hálito extremamente fétido.
- A leitura luciferiana de Astaroth é tão antiga quanto as tradições de Mathers e Rudd?
- Não. É uma interpretação moderna, desenvolvida principalmente a partir dos anos 2000 por autores luciferianos como Michael W. Ford, que reformulam os espíritos da Ars Goetia como arquétipos psicológicos de autodesenvolvimento — uma leitura simbólica contemporânea, não um manuscrito histórico como os de Mathers ou Rudd.
Fontes
- S. L. MacGregor Mathers (trans.), Aleister Crowley (ed.). The Goetia: The Lesser Key of Solomon the King (1904).
- Joseph H. Peterson (ed.). The Lesser Key of Solomon (2001).
- Thomas Rudd (manuscript), ed. Adam McLean. Dr. Rudd's Treatise on Angel Magic (c. 1650 (2007 ed.)).
- Michael W. Ford. The Luciferian Goetia (2007).