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Andras

Andras é o sexagésimo terceiro dos 72 espíritos catalogados na Ars Goetia, a primeira seção do Lemegeton. É descrito com o título de Marquês segundo o texto, e figura entre os espíritos do catálogo cuja reputação é registrada como particularmente perigosa na própria fonte primária.

Última revisão: 2026-07-20

Fato histórico

Na edição de Mathers (1904), Andras é descrito com a forma de um anjo com cabeça de corvo-noturno negro, montado sobre um forte lobo negro, empunhando uma espada afiada e reluzente erguida no ar. O texto atribui-lhe o ofício de semear discórdias. É um dos poucos espíritos do catálogo cuja descrição inclui uma advertência explícita sobre risco ao operador — um detalhe documentado na própria fonte primária, e não uma orientação de uso.

InterpretaçãoTradição Salomônica (Mathers/Crowley, 1904)

Na edição de Mathers, publicada com comentários de Aleister Crowley, Andras ocupa a sexagésima terceira posição do catálogo e é descrito como Marquês, comandando 30 legiões de espíritos segundo o texto. O manuscrito registra, como parte de sua descrição textual, que 'se o operador não tiver cuidado, ele matará tanto a ele quanto a seus companheiros' — uma frase de advertência presente na fonte primária, citada aqui como curiosidade histórica sobre como o texto caracteriza esse espírito específico, entre os poucos descritos com esse tipo de nota de risco.

InterpretaçãoTradição de Dr. Rudd (manuscrito, c. 1650)

O manuscrito atribuído a Thomas Rudd, anterior à edição de Mathers em cerca de dois séculos e meio, emparelha cada um dos 72 espíritos do catálogo — incluindo Andras — com um anjo correspondente extraído do sistema cabalístico do Shem HaMephorash (72 nomes divinos), como contraparte estrutural de restrição/governo, um elemento ausente na edição de Mathers. Não há, nas fontes consultadas, confirmação segura de qual nome específico de anjo Rudd atribuiu a Andras; a prática geral de emparelhamento, contudo, está bem documentada nas pesquisas de Joseph Peterson sobre os manuscritos de Rudd.

InterpretaçãoTradição Luciferiana (interpretação moderna)

Autores luciferianos modernos, sobretudo Michael W. Ford (em obras como The Luciferian Goetia), propõem que os 72 espíritos do catálogo sejam compreendidos não como forças externas a serem comandadas sob uma autoridade divina superior, mas como arquétipos de aspectos psicológicos do próprio praticante. Nessa leitura simbólica, a associação de Andras com a discórdia e sua descrição iconográfica marcial — cabeça de corvo, lobo negro, espada erguida — são reinterpretadas como o arquétipo da sombra caótica, a parte de si que rompe estruturas rígidas e gera a ruptura necessária ao crescimento. A própria advertência textual sobre risco ao operador, presente na fonte primária, é lida nessa tradição moderna puramente como reforço simbólico de que esse aspecto sombrio exige reconhecimento cuidadoso e integração consciente, e não como uma indicação prática de manuseio — a leitura permanece estritamente interpretativa, nunca instrucional.

Esta seção apresenta a interpretação de uma tradição específica, não um fato verificável.

Perguntas frequentes

É verdade que o texto da Ars Goetia descreve Andras como perigoso?
Sim, essa é uma característica documentada da fonte primária: a edição de Mathers inclui, na descrição de Andras, uma advertência textual sobre risco ao operador e a seus companheiros. Este verbete relata essa passagem como um fato histórico do texto, não como orientação prática.
Qual é o ofício atribuído a Andras na Ars Goetia?
Segundo a edição de Mathers, seu ofício é semear discórdias, e é descrito comandando 30 legiões de espíritos.
A leitura luciferiana de Andras é tão antiga quanto as tradições de Mathers e Rudd?
Não. É uma interpretação moderna, desenvolvida principalmente a partir dos anos 2000 por autores luciferianos como Michael W. Ford, que reformulam os espíritos da Ars Goetia como arquétipos psicológicos de autodesenvolvimento — uma leitura simbólica contemporânea, não um manuscrito histórico como os de Mathers ou Rudd.

Fontes

  1. S. L. MacGregor Mathers (trans.), Aleister Crowley (ed.). The Goetia: The Lesser Key of Solomon the King (1904).
  2. Joseph H. Peterson (ed.). The Lesser Key of Solomon (2001).
  3. Thomas Rudd (manuscript), ed. Adam McLean. Dr. Rudd's Treatise on Angel Magic (c. 1650 (2007 ed.)).
  4. Michael W. Ford. The Luciferian Goetia (2007).