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O Pentagrama: História e Significados ao Longo dos Séculos

2026-07-22

Poucos símbolos geométricos carregam uma história tão longa e variada quanto o pentagrama — a estrela de cinco pontas traçada em uma única linha contínua, cujo significado mudou repetidas vezes ao longo de mais de dois mil anos de uso documentado.

Origem antiga e o pitagorismo

O pentagrama aparece em contextos mesopotâmicos anteriores à Grécia clássica, mas ficou historicamente associado sobretudo aos pitagóricos, a escola filosófica fundada por Pitágoras no século VI a.C. Segundo fontes gregas posteriores, os pitagóricos usavam o pentagrama como símbolo de reconhecimento entre membros da escola e o associavam à saúde e ao equilíbrio (hygieia) — uma leitura ligada ao interesse pitagórico mais amplo pelas proporções matemáticas presentes na figura, incluindo sua relação com a proporção áurea.

O pentagrama no cristianismo medieval

Na Europa medieval, o pentagrama foi por vezes associado, dentro do cristianismo, às cinco chagas de Cristo na crucificação, aparecendo com esse sentido em contextos como o poema medieval "Sir Gawain e o Cavaleiro Verde", onde o símbolo é descrito em detalhe como emblema de virtude no escudo do cavaleiro Gawain. Essa associação cristã medieval é bem documentada e distinta tanto do uso pitagórico anterior quanto do uso ocultista posterior.

Éliphas Lévi e a distinção entre pentagrama ereto e invertido

A distinção moderna, hoje amplamente difundida, entre o pentagrama de ponta para cima (associado ao espírito dominando a matéria) e o pentagrama de ponta para baixo (associado, em algumas leituras, à matéria dominando o espírito ou a forças mais sombrias) tem uma origem documentada relativamente recente: o ocultista francês Éliphas Lévi, em sua obra "Dogme et Rituel de la Haute Magie" (1854-56), sistematizou essa distinção de forma influente, consolidando uma interpretação que passaria a ser amplamente adotada pelo ocultismo ocidental subsequente.

Uso contemporâneo em diferentes tradições

Hoje, o pentagrama é usado com significados distintos por diferentes comunidades: na Wicca e em outras tradições neopagãs contemporâneas, o pentagrama de ponta para cima inscrito em um círculo (o pentáculo) é um símbolo central, frequentemente associado aos quatro elementos clássicos mais o espírito. Em contextos populares mais amplos, a associação do pentagrama invertido ao satanismo — reforçada por seu uso na Igreja de Satã fundada por Anton LaVey em 1966 — é apenas uma entre várias camadas históricas de significado atribuídas ao símbolo, e está longe de esgotar sua história de mais de dois milênios.