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A Chave de Salomão: História do Grimório Mais Influente da Magia Renascentista

2026-07-22

A Chave de Salomão (Clavicula Salomonis) é um dos grimórios — manuais de magia cerimonial — mais influentes da tradição ocidental, atribuído ao lendário rei Salomão do Antigo Testamento, mas com uma origem textual documentada bem mais recente e específica.

Atribuição a Salomão e origem real no Renascimento

Assim como diversos outros textos mágicos medievais e renascentistas, a Chave de Salomão reivindica autoria do rei Salomão, figura bíblica famosa por sua sabedoria e, em tradições folclóricas judaicas e islâmicas posteriores, associada ao controle sobre espíritos e demônios. No entanto, os manuscritos mais antigos conhecidos da Chave de Salomão datam do período renascentista italiano, com exemplares situados entre os séculos XIV e XV — a atribuição a Salomão é, portanto, uma convenção de autoria pseudoepígrafa, comum em textos mágicos desse período, e não uma indicação de autoria histórica literal.

Conteúdo: pentáculos, invocações e instruções rituais

A Chave de Salomão é estruturada como um manual prático de magia cerimonial, contendo instruções para a confecção de pentáculos (talismãs com desenhos e inscrições específicas), invocações de espíritos, orações rituais e instruções detalhadas sobre os materiais, vestimentas e momentos astrológicos considerados apropriados para diferentes operações mágicas — refletindo uma abordagem altamente formalizada e ritualizada, característica dos grimórios desse período.

Diferença em relação à Lemegeton (Chave Menor de Salomão)

É comum haver confusão entre a Chave de Salomão e a Lemegeton, também conhecida como "Chave Menor de Salomão", um texto distinto — embora relacionado tematicamente e também atribuído pseudoepigraficamente a Salomão — compilado principalmente no século XVII, cuja primeira seção, o Ars Goetia, cataloga os 72 espíritos hoje amplamente estudados. A Chave de Salomão e a Lemegeton são grimórios separados, com histórias manuscritas distintas, ainda que compartilhem o tema geral da magia salomônica.

Pesquisa acadêmica moderna sobre o texto

Estudiosos contemporâneos do esoterismo ocidental, como Joseph H. Peterson, dedicaram-se a mapear e comparar os diversos manuscritos sobreviventes da Chave de Salomão, revelando variações significativas entre versões copiadas em diferentes períodos e regiões — um trabalho de crítica textual que ajuda a reconstruir com mais precisão a real trajetória histórica do grimório, distinguindo-a da lenda de origem salomônica que o próprio texto reivindica.