Touro
Touro é o segundo signo do zodíaco tropical, cobrindo o setor de 30° a 60° a partir do equinócio de março, entre 20 de abril e 20 de maio. É um signo de Terra, de modalidade Fixa, regido pelo planeta Vênus. Para quem está começando, o essencial é reter três eixos: elemento (Terra, concretude e praticidade), modalidade (Fixa, o que consolida e resiste à mudança) e regente (Vênus, prazer sensorial e apreço estético) — a combinação dos três sustenta toda leitura de Touro.
Última revisão: 2026-07-21
Fato histórico
Na astronomia babilônica antiga (registrada no compêndio MUL.APIN, por volta do século VII a.C.), o setor do céu hoje conhecido como Touro já era chamado de GU4.AN.NA, 'o Touro do Céu' — uma associação ligada ao mito mesopotâmico do Touro do Céu (Gugalanna), posteriormente ecoado na Epopeia de Gilgamesh, na qual a deusa Ishtar envia o Touro do Céu para atacar Gilgamesh depois de ser rejeitada por ele. Touro é, portanto, um dos poucos símbolos zodiacais genuinamente antigos e de origem mesopotâmica, e não uma sobreposição grega posterior — os gregos mantiveram a imagem do touro, mas a reatribuíram ao seu próprio mito de Zeus transformado em touro para raptar Europa, levando-a a nado até Creta. Ptolomeu sistematizou a ordem dos doze signos, incluindo Touro como o segundo, no Tetrabiblos, por volta de 150 d.C.
Interpretação — Astrologia Ocidental (Tropical)
Na astrologia ocidental moderna, Touro é lido como o signo da estabilidade e do prazer material: energia Fixa (que consolida e persiste) combinada ao elemento Terra (concretude, praticidade) sob regência de Vênus, planeta associado a beleza, afeto e prazer sensorial. Traços comumente associados: paciência, lealdade, apreço por conforto físico e segurança material, além de um forte senso estético. O lado sombra costuma incluir teimosia, resistência à mudança e apego excessivo a posses ou rotinas. Na leitura de mapa astral contemporânea, um planeta em Touro é lido como uma área da vida abordada de forma lenta, prática e voltada à construção de segurança duradoura — o oposto da urgência associada a Áries, signo imediatamente anterior na sequência.
Interpretação — Astrologia Védica (Sideral)
No sistema védico (Jyotish), o signo correspondente é Vrishabha, também regido por Vênus (Shukra) e igualmente o segundo dos doze rashis. Por usar o zodíaco sideral, que leva em conta a precessão dos equinócios, a janela de datas de Vrishabha está hoje deslocada em relação a Touro tropical — atualmente por volta de meados de maio a meados de junho, variando conforme o ayanamsa (método de cálculo) usado. Textos clássicos como o Brihat Parashara Hora Shastra descrevem os nativos de Vrishabha como pacientes, de temperamento estável e voltados ao conforto material e aos prazeres dos sentidos — uma caracterização amplamente convergente com a leitura ocidental, apesar dos sistemas terem se desenvolvido de forma distinta. Vrishabha é também associado à segunda Bhava (casa) do horóscopo natural, ligada a recursos, fala e valores acumulados.
Curiosidades
- A constelação de Touro abriga dois dos aglomerados estelares mais observados a olho nu desde a Antiguidade, as Plêiades e as Híades, ambos referenciados por culturas ao redor do mundo independentemente da tradição zodiacal.
- Aldebaran (Alpha Tauri), a estrela mais brilhante de Touro, era uma das quatro 'Estrelas Reais' da astrologia persa antiga, associada ao ponto cardeal leste.
- Na doutrina ptolemaica das dignidades planetárias, a Lua é considerada 'exaltada' em Touro.
- Dentro dos limites da constelação de Touro está a Nebulosa do Caranguejo (M1), remanescente de uma supernova registrada por astrônomos chineses em 1054 d.C. — um marco da história da astronomia observacional, sem relação com o simbolismo zodiacal do signo.
Para pesquisadores
Um debate historiográfico relevante, associado sobretudo ao orientalista Willy Hartner (1965), questiona se Touro — não Áries — teria sido o signo efetivamente 'inicial' do zodíaco em períodos mais antigos: pela precessão dos equinócios, o ponto vernal esteve posicionado dentro da constelação de Touro durante boa parte da Idade do Bronze (aproximadamente entre 4000 e 1700 a.C.), o que levou Hartner a propor que motivos iconográficos mesopotâmicos como o combate entre touro e leão representariam relações astronômicas sazonais daquele período. A hipótese é discutida mas não é consenso entre historiadores da astronomia, em parte porque depende de interpretar iconografia religiosa como registro astronômico deliberado — uma inferência que outros especialistas consideram especulativa demais para ser tratada como fato estabelecido.
Esta seção apresenta a interpretação de uma tradição específica, não um fato verificável.
Perguntas frequentes
- Por que o símbolo de Touro é tão antigo?
- Porque, ao contrário de outros signos cujos símbolos foram reatribuídos por mitos gregos posteriores, o touro já aparecia na astronomia babilônica do século VII a.C. como GU4.AN.NA, o Touro do Céu, ligado ao mito mesopotâmico do Touro do Céu presente na Epopeia de Gilgamesh.
- Qual é o mito grego associado a Touro?
- Os gregos reatribuíram a imagem do touro ao mito de Zeus, que se transformou em touro para raptar a princesa Europa. A figura do touro em si, porém, já existia na tradição babilônica muito antes desse mito.
- Touro e Vrishabha (védico) são o mesmo signo?
- Correspondem à mesma posição na sequência (segundo signo, regido por Vênus), mas ocupam janelas de datas diferentes, porque o zodíaco védico é sideral (alinhado às constelações) enquanto o ocidental é tropical (alinhado às estações) — a diferença hoje é de aproximadamente 24 graus.
- Qual é o elemento e a modalidade de Touro?
- Touro é um signo de Terra (elemento associado à concretude e à praticidade) de modalidade Fixa (modalidade associada à consolidação e à resistência à mudança), regido pelo planeta Vênus.
- Touro já foi considerado o primeiro signo do zodíaco?
- Alguns historiadores da astronomia, como Willy Hartner, propõem que o ponto vernal esteve dentro da constelação de Touro durante boa parte da Idade do Bronze, antes de precessar para Áries — mas essa é uma hipótese sobre simbolismo astronômico antigo, não um consenso sobre a ordem tradicional dos signos usada hoje.
Fontes
- Nicholas Campion. A History of Western Astrology (2009).
- Claudius Ptolemy. Tetrabiblos (c. 150).
- Maharishi Parashara (trans. R. Santhanam). Brihat Parashara Hora Shastra (1984).
- David Pingree. From Astral Omens to Astrology: From Babylon to Bīkāner (1997).
- Hermann Hunger, David Pingree. MUL.APIN: An Astronomical Compendium in Cuneiform (1989).