Peixes
Peixes é o décimo segundo e último signo do zodíaco tropical, cobrindo o período de 19 de fevereiro a 20 de março, antes que o ciclo recomece em Áries. É um signo de Água, de modalidade Mutável, tradicionalmente regido pelo planeta Júpiter. Para quem está começando, o essencial é reter três eixos: elemento (Água, emoção e intuição), modalidade (Mutável, fluidez e adaptação) e regente tradicional (Júpiter, expansão e transcendência) — a combinação dos três sustenta toda leitura de Peixes.
Última revisão: 2026-07-21
Fato histórico
Já na astronomia babilônica, o setor do céu hoje conhecido como Peixes era representado por dois peixes conectados, ligado a associações de fertilidade — a imagem aparece em selos cilíndricos mesopotâmicos de períodos anteriores à sistematização do zodíaco de doze signos. Os gregos reatribuíram a figura a Afrodite e Eros (nas versões romanas, Vênus e Cupido), que, fugindo do monstro Tifão, teriam se transformado em peixes e amarrado um ao outro com uma corda para não se perderem enquanto escapavam para o rio Eufrates. Ptolomeu sistematizou Peixes como o décimo segundo e último signo da sequência no Tetrabiblos, por volta de 150 d.C.
Interpretação — Astrologia Ocidental (Tropical)
Na astrologia ocidental moderna, Peixes é lido como o signo da dissolução e da sensibilidade: energia Mutável (fluida, adaptável) combinada ao elemento Água (emoção, intuição) sob regência tradicional de Júpiter, planeta associado a expansão e transcendência — a astrologia ocidental do século XX em diante passou a atribuir também Netuno como corregente, após sua descoberta em 1846, reforçando as leituras de imaginação e espiritualidade (vale notar que Netuno é uma adição moderna, e não parte do sistema clássico de sete planetas). Traços comumente associados: empatia, imaginação fértil, sensibilidade artística e espiritual. O lado sombra costuma incluir escapismo e dificuldade em estabelecer limites claros com os outros. Na leitura de mapa astral contemporânea, um planeta em Peixes costuma indicar uma área da vida vivida de forma intuitiva e permeável, onde fronteiras rígidas tendem a se dissolver.
Interpretação — Astrologia Védica (Sideral)
No sistema védico (Jyotish), o signo correspondente é Meena, também regido por Júpiter (Guru/Brihaspati) e igualmente o décimo segundo e último dos doze rashis. Por usar o zodíaco sideral, que leva em conta a precessão dos equinócios, a janela de datas de Meena está hoje deslocada em relação a Peixes tropical — atualmente por volta de meados de março a meados de abril, variando conforme o ayanamsa (método de cálculo) usado. Textos clássicos como o Brihat Parashara Hora Shastra descrevem os nativos de Meena como compassivos, espiritualmente inclinados e imaginativos, com forte sensibilidade emocional — uma caracterização amplamente convergente com a leitura ocidental, apesar dos sistemas terem se desenvolvido de forma distinta. Meena é também associado à décima segunda e última Bhava (casa) do horóscopo natural, ligada ao inconsciente, ao isolamento e à espiritualidade.
Curiosidades
- Devido à precessão dos equinócios, o ponto do equinócio de março está atualmente localizado dentro dos limites astronômicos da constelação de Peixes — o que motivou a popularização do conceito de transição para a 'Era de Aquário' nas décadas seguintes.
- A imagem dos dois peixes conectados por um fio já aparece em selos cilíndricos mesopotâmicos anteriores à sistematização do zodíaco de doze signos, sugerindo uma origem mais antiga do que a leitura estritamente zodiacal do símbolo.
- Peixes não possui nenhuma estrela de primeira magnitude, sendo uma das constelações mais discretas do zodíaco, apesar de sua posição simbólica de destaque como signo final do ciclo.
- Por ser o último signo listado na sequência tradicional, representações medievais e renascentistas do zodíaco às vezes marcavam visualmente a 'costura' entre Peixes e Áries para indicar o ponto de reinício do ciclo.
Para pesquisadores
Historiadores da simbologia religiosa alertam contra uma associação popular comum, mas historicamente frágil: a de que o símbolo cristão primitivo do peixe (o ichthys) derivaria do símbolo zodiacal de Peixes. Na realidade, o ichthys é mais diretamente rastreado ao acróstico grego 'Iesous Christos Theou Yios Soter' ('Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador') e a episódios evangélicos envolvendo peixes, sem relação documentada com a tradição zodiacal babilônico-helenística — um exemplo citado por historiadores da religião como caso em que a semelhança superficial entre dois símbolos não implica derivação histórica direta, reforçando a importância de não presumir conexões causais entre tradições apenas pela coincidência de imagem.
Esta seção apresenta a interpretação de uma tradição específica, não um fato verificável.
Perguntas frequentes
- Por que Peixes é o último signo do zodíaco?
- Porque o zodíaco tropical segue a sequência fixada por Ptolomeu no Tetrabiblos, por volta de 150 d.C., que começa em Áries (no equinócio de março) e termina em Peixes, imediatamente antes de o ciclo recomeçar.
- De onde vem o símbolo dos dois peixes?
- Já existia na astronomia babilônica, representando dois peixes conectados, com associações de fertilidade. Os gregos posteriormente reinterpretaram a imagem como Afrodite e Eros (ou Vênus e Cupido), que se transformaram em peixes atados por uma corda para escapar do monstro Tifão.
- Peixes é regido por Júpiter ou Netuno?
- Tradicionalmente, por Júpiter. Desde a descoberta de Netuno em 1846, a astrologia ocidental moderna passou a atribuir também a esse planeta a corregência de Peixes, mas essa é uma adição do século XX em diante — a astrologia védica mantém apenas Júpiter (Guru) como regente de Meena.
- Qual é o elemento e a modalidade de Peixes?
- Peixes é um signo de Água (elemento associado à emoção e à intuição) de modalidade Mutável (modalidade associada à fluidez e à adaptação), tradicionalmente regido por Júpiter.
- O símbolo cristão do peixe (ichthys) vem do signo de Peixes?
- Não há relação documentada entre os dois. O ichthys deriva do acróstico grego para 'Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador' e de episódios evangélicos com peixes, uma origem distinta e independente da tradição zodiacal babilônico-helenística.
Fontes
- Nicholas Campion. A History of Western Astrology (2009).
- Claudius Ptolemy. Tetrabiblos (c. 150).
- Maharishi Parashara (trans. R. Santhanam). Brihat Parashara Hora Shastra (1984).
- David Pingree. From Astral Omens to Astrology: From Babylon to Bīkāner (1997).